terça-feira, 28 de dezembro de 2010

ZECA PRETO - ENTREVISTA Nº 289

BIOGRAFIA

Zeca Preto é compositor, cantador e poeta e há mais de 30 anos canta as belezas da região Amazônica. Utiliza termos indígenas e ritmos que mesclam as influências musicais do norte do país, como o Carimbó e o Síria com o Merengue e a Salsa do Caribe.

Em 1980 no II FEMUR Festival de Música em Roraima ganhou o segundo lugar com a canção MACUXANA

Em 1984 no III FEMUR ganhou também o segundo lugar com a música RORAIMEIRA que é sucesso até hoje.

Em 1987 Zeca lançou o livro de poemas BEIRAL. O evento aconteceu no próprio local.

Em 1995 no XVII FEMUCIC Festival de Música Cidade Canção ganhou o melhor arranjo na cidade de Maringá no Paraná.

Em 1996 no XVIII FEMUCIC, ganhou em parceria com Neuber o primeiro lugar com música Canto das Pedras, sendo agraciado com a primeira faixa do CD do Festival. Também na cidade de Maringá no Paraná.

Zeca Preto já realizou em Roraima centenas de eventos culturais como: (Shows em teatros, Ginásio de Esportes, Praças públicas, Feiras, Penitenciária, Hospitais,Parques, Rede escolar estadual e municipal, creches, Universidade etc.) e já se apresentou em várias cidades. Inclusive já esteve no exterior como Venezuela e Suíça.

Em 2009 Foi agraciado com o Projeto Pixinguinha.

Foi Tema do DOC TV IV- Roraima Expressão Amazônica.

Foi escolhido para elaborar texto poético para Agenda Caixa Econômica Federal.

OBRAS EDITADAS
13 discos gravados:

1-Gresem,
2-Roraimeira,
3-Caimbé,
4-Roraima,
5-Makunaimeira,
6-Amazon Music,
7- O canto de Roraima,
8-Na ponta do norte,
9-Tempo de jambo 1
10- Nada de concreto,
11-Roraimeira o canto de Roraima,
12-A Nata,
13- Mãedioca

Livro BEIRAL lançado em 1987
BEIRAL E OUTRAS será lançado em maio de 2011

ENTREVISTA

SELMO VASCONCELLOS - Quem é Zeca Preto dentro e fora do mundo da música?

ZECA PRETO - Por dentro sou o compositor que trabalha, sem aquela de inspiração, se necessito fazer música faço e as vezes não consigo terminar, por não gostar daquilo que fiz. Por fora sou bem melhor, pois não consigo viver fora do mundo da música...

SELMO VASCONCELLOS - Como começou sua relação com a música ?

ZECA PRETO - Começou quando criança, mexendo nos instrumentos de sopro do meu avô Maxico. Imagina com 4 anos tentando tirar som daqueles instrumentos de metais.Gostava muito de assistir meu avô comandando uma trupe de músicos, ficava desde cedo curioso com tudo aquilo. Porém foi em 1973 em Marabá que participei de um Festival no Clube Alavanca e de lá pra cá me infiltrei na música participando e ganhando vários Festivais de música, faço isso até os dias de hoje.

SELMO VASCONCELLOS - Quais são as fontes inspiradoras das suas composições musicais ?

ZECA PRETO - Creio que a necessidade cravada na carne e na alma pelos fios melódicos e textos poéticos, na alegria de passear pelas notas musicais, de dó a dó. São poucas vezes mesmo, que alguma coisa física me inspira – Quem sabe uma bela MULHER, Uma linda paisagem, Um céu enluarada cheio de estrelas. Gosto muito dos sabores das frutas, viajar pelo cupuaçu até o bacuri, comer jaca com açaí. Esses cheiros de frutas amazônicas me inspiram muito.

SELMO VASCONCELLOS - Pode nomear 5 cd’s influentes para você ?

ZECA PRETO - Creio que nenhum.CD, mas Posso citar 5 Long Plays: (vinil)
1-Taiguara,
2-Arhur Conley,
3- Chico Buarque,
4-Lupicinio Rodrigues,
5-Toquinho e Vinicius

SELMO VASCONCELLOS - Poderia falar um pouco sobre o seu último CD ?

ZECA PRETO - O meu último CD fiz em parceria com Neuber Uchôa, chamado MÃEDIOCA, uma alusão a essa raiz Mandioca que alimenta o nosso povo brasileiro, principalmente os da Amazônia,
É um CD dedicado ao povo da Amazônia, com ritmos que passam pelo Carimbó, Salsa, Merengue, Baião, até pelo Vanerão. Também pra homenagear esse povo diverso que mora em Roraima.
Foi gravado em Belém para ter essa pegada nortista
Fazemos uma homenagem também aos artistas da região como: Nilson Chaves do Pará, Zé Miguel do Amapá, , Papete do Maranhão, Genésio do Tocantins, Raízes Caboclas do Amazonas, Bado do Rondônia, Sérgio Souto do Acre e assim vai...

SELMO VASCONCELLOS - Planos para o futuro ?

ZECA PRETO - Estamos viajando por toda Amazônia com o patrocínio da PETROBRAS. Não foi fácil foi necessário 30 anos de carreira para merecer esse magnífico patrocínio. Porém isso já e presente.
Para o futuro estou preparando meu 6 disco Solo chamado” Mas quando já” Todas músicas inéditas com 6 parcerias e 5 autorais. Portando 11 músicas novíssimas para esse povo maravilhoso da Amazônia. Pois não faço questão de estar fora da Amazônia. Sou um artista da Amazônia...

SELMO VASCONCELLOS - A quem você agradeceria o apoio irrestrito dado nessa empreitada musical nesses seus longos anos de carreira ?

ZECA PRETO - O apoio da persistência, da certeza que minhas músicas embora simples e telúricas na sua maior parte eram verdadeiras, puras. Não foi necessário empurrar ninguém e nem dá chega pra lá em quem quer seja chegando. Falar da região que tu amas, da terra onde moras é simplesmente Universal. Não tenho medo nem vergonha de ninguém quando digo EU SOU DE RORAIMA. Agradeço também ao meu público, embora pequeno é totalmente Fiel.

SELMO VASCONCELLOS – Contatos para shows.

ZECA PRETO : Fones: 95 3623-4860/ 9959-6736
E.Mail: zecapreto@click21.com.br
Rua Levindo Inácio de Oliveira, 2151 Paraviana -69307-272 Boa Vista-RR

POEMAS

TOMARA

Tomara que existam rosas vivas na tua cabeça
Tomara que exista som batendo no teu coração
E que esse canto possa agradar tua aldeia
Pro teu povo ler poemas na janela
Tomara que existam cores no teu pensamento
Tomara que exista madrugada no teu bocejo
E que seja verso cada esquina donde moras
Pra que a poesia se encalhe no refrão dessa canção
Abre a porta do quintal podes entrar
Sou fruta de vez no teu pomar
Toma logo esse açaí mata a vontade
Devora esses olhos castanhos do Pará
Devora esses olhos castanhos do Pará


TEMPO DE JAMBO

hoje o meu quintal
amanheceu lilás
da cor do amor fugaz
da cor da sedução
hoje as flores se abriram
e choveu pétalas no chão
fizeram do meu canto
a cor forte da emoção
é tempo de jambo
é tempo de amor
é tempo de cor
do gosto a explosão
da água o coração
do caroço a compreensão...


RORAIMEIRA

te achei na grande América do sul
quero atos que me falem só de ti
e em tua forma bela e selvagem
entre os dedos o teu barro o teu chão
e em tuas férteis terras enraizar
a semente do poeta Eliakim
nos seus versos inerentes ao amor
aves ruflam num arribe musical, musical
os teus seios grandes serras,
grandes lagos são os teus olhos
tua boca dourada, Tepequém, Suapi
terra do Caracaranã, do caju, seriguela
do buriti, do caxiri, Bem- Querer
dos arraiais, do meu HI-FI,
da morena bonita do aroma de patchully
da morena bonita do aroma de patchully
o teu importante rio chamado branco
sem preconceito em um negro ele aflui
és Alice neste país tropical,
de um cruzeiro norteando as estrelas
norte forte macuxi Roraimeira
da coragem, raça, força garimpeira
cunhantã roceira, tão faceira
diamante ouro, amo-te poeira, poeira...


HOJE EU NÃO POSSO SAIR

Hoje eu não posso sair
Tô escrevendo poemas
Tô namorando com a felicidade
Tô de caso com Sebastiana
Hoje eu não posso sair
Tô regando meu pé de música
Tô devorando uma cuia de acordes
Tô com cara de nova canção
Eu to querendo é ficar em casa
No aconchego das curvas do teu violão
Beijando essa boca fresca de hortelã
Quarando a madrugada pra te consumir


PÉTALAS DELIRANTES

Canto pra esquecer essa mania
De querer você todos os dias
De cheirar tua boca e comer toda emoção
De beijar com fome toda tua sedução
Quero acender de novo o dia
Quero cantar bem forte a melodia
Que fala do corpo dessa deusa que é a mulher
Que fala da vida como fosse bem me quer
Eu não vou chorar na vida
A minha vida não foi feita pra sofrer
Vou arrumar um novo amor
Vou me soltar no mundo
Quero sentir muito prazer
Mas se jogo fora o pensamento
Logo me arrepende o livramento
De lembrar teus olhos esmeralda verde-lã
De correr nas águas como fosse aruanã
Vou recuperar minha mania
Vou incendiar de novo a minha fantasia
E juntar as pétalas caídas pelo chão
Recompor de novo toda minha emoção

quinta-feira, 23 de dezembro de 2010

MARILDA CONFORTIN - ENTREVISTA Nº 288

AUTO BIOGRAFIA

Não sei bem ao certo quando nasci. Sou a décima primeira de uma ninhada de doze hoje só restam dez.
Antes de partir, minha mãe disse que me pariu em casa, numa madrugada fria e parecia ser maio. Antes de partir, minha irmã mais velha disse que eu só parava de chorar quando me levava pra ver as estrelas ou a roda gigante do velho moinho da família .
Depois de quase dois anos, meu pai encilhou o cavalo, galopou uns trinta quilômetros em baixo de chuva e foi pra cidade registrar eu e meu irmão que também já partiu.
Antes de chegar no cartório, ele parou numa bodega e tomou uns tragos. Quando voltou pra casa, guardou os registros de nascimento numa caixa de sapatos, junto com a escritura da terra, as notas promissórias dos empréstimos rurais do banco do Brasil e alguns contos de réis. Ninguém tinha permissão para tocar na caixa de segredos do meu pai. Nunca vi minha certidão de nascimento. Até que um dia, aos sete anos, depois de um mês sem responder a chamada na escola, descobri que meu primeiro nome era Maria e que fui registrada em 4 de junho. Até aquele momento, eu me conhecia por Marilda Confortin, nascida a 4 de maio. Vá saber...
E assim fui vivendo. Quando dei por mim, já estava adulta, morando em Curitiba, trabalhando com informática, com 2 filhos pra criar, com outro sobrenome que herdei do marido e escrevendo poesias feito louca.
Quando me chamam de poeta, não respondo. É como se me chamassem pelo primeiro nome. Não me conheço por Maria nem por poeta. Poesia é coisa divina e sei que não sou santa.
Ainda não sei o que quero ser quando crescer. Com sorte, a morte me encontra tão distraída quanto a vida.

ENTREVISTA

SELMO VASCONCELLOS – Quais as suas outras atividades, além de escrever ?

MARILDA CONFORTIN - Profissionalmente eu fui analista de sistemas e nos últimos anos dirigi o departamento de tecnologias e difusão educacional da Secretaria Municipal de Educação de Curitiba. Aposentei-me no primeiro semestre deste ano. Agora, além de não fazer nada (risos), ando por aí divulgando meu último livro de poesias “Busca e Apreensão” que acaba de ser lançado, escrevo um livro de contos em parceria com Tonicato Miranda, atuo no teatro e dou palestras e recitais onde me convidam.

SELMO VASCONCELLOS - Como surgiu seu interesse literário ?

MARILDA CONFORTIN - Foi natural, evolutivo e inevitável como são todos os amores. Quando dei por mim estava completamente envolvida e apaixonada pela literatura.

SELMO VASCONCELLOS - Quantos e quais os seus livros publicados ?

MARILDA CONFORTIN - Publiquei seis livros individuais, alguns trabalhos avulsos e participei de várias antologias nacionais e internacionais. Os trabalhos individuais foram:

Pedradas – crônicas – Ed. Santa Mônica – Curitiba – 2001;

Triz – poesia e prosa – bilíngüe - Ed. Scortecci – São Paulo – 2003;

Gota a gota – poesias – bilíngüe – Linajes Editores – México – 2004;

Mal me quer Bem me quer – Poemas desfolhados – edição independente – 2007;

Largo Esquerdo da Ordem – Poema Postal de Curitiba – Imprensa Paranaense – material de distribuição gratuita;

Mulher – Ensaio – Programa Paranização – Bibliomóvel – Centro Cultural Teatro Guaira, Imprensa Oficial e Biblioteca Pública do Paraná - distribuição gratuita no estado do Paraná;

Lua caolha – Poetrix – Editora Araucária – 2008;

Busca e Apreensão - Poesia - Editora Protexto - Curitiba - 2010.

SELMO VASCONCELLOS - Qual (is) o(s) impacto(s) que propicia(m) atmosfera(s) capaz(es) de produzir suas poesias ?

MARILDA CONFORTIN - Tudo pode impactar. Só precisa estar atento. Ando pelas ruas como se fosse turista: Sempre olhando a vida com olhos de primeira vez. Não vejo poesia só nas coisas bonitas. Na verdade o que mais me chama a atenção são as coisas feias: desilusão, pobreza, frustrações, injustiças, minorias, preconceitos... Mas estou aberta ao amor, lua, nuvens e passarinhos também, claro.

SELMO VASCONCELLOS - Quais os escritores que você admira ?

MARILDA CONFORTIN - Ah! São vários. Mas, não vou citar os consagrados que são comuns a todos nós. Quero dizer que admiro os meus amigos, os poetas anônimos, aqueles que mesmo sendo ótimos escritores, precisam bancar seus livros e fazer muito esforço para vender um exemplar, de porta em porta, de site em site, de bar em bar. Esses eu admiro profundamente. Os famosos, não fazem mais do que a obrigação de me impressionar com suas obras. E quando me decepcionam fico muito brava. Principalmente os imortais das academias. Tenho vontade de devolver o livro e pedir indenização. Oras, com tanta gente boa por aí sem espaço e um acadêmico publicando porcaria... não tem perdão!

SELMO VASCONCELLOS - Qual mensagem de incentivo você daria para os novos poetas ?

MARILDA CONFORTIN - Se você for poeta mesmo, não precisará de nenhuma mensagem de incentivo para continuar escrevendo. A poesia estará sempre lhe cutucando feito um diabinho. Agora, se você quer ganhar dinheiro com poesia, aí precisará de muito incentivo e de um bom patrocinador. Seja qual for sua alternativa, continue lendo e escrevendo: Você nunca perde nada com a poesia. Só ganha.

3 POESIAS

Sobre nós e elos

Acontece
que somos elos de uma corrente,
feita por um desses deuses dementes,
que se diverte com a desgraça da gente.

Acontece
que estamos sempre à procura
de uma corrente segura
pra nos encaixar.

Mas, acontece
que essa maldita corrente
sempre arrebenta no mesmo lugar.

É que existem elos perdidos
que vieram ao mundo
só para serem partidos.
Elos órfãos,
elos sós,
que se amam e não se atam,
como nós.

Às vezes me pego sonhando
com um universo paralelo,
cheínho de elos,
todos sem par.
Quem sabe é por lá
que nossos chinelos
se vão encontrar.


Volúvel

Tem hora, sou da paz.
Quero casa, casar,
morar num harém,
ser oásis, caça,
presa, amélia, amém.

Às vezes, creio em buraco negro,
camada de ozônio, câncer no seio,
falta de hormônio, aids, escorbuto,
mundo corrupto, degelo, desgraça,
apocalipse... Vixe!

Noutras, acho graça
do que disse.
Quero viver mais cem anos
curtir a velhice,
fazer planos,
artes, plásticas,
ginástica,
poesia, música,
teatro, cinema,
amor...
Ontem te amei.
Hoje, não sei.


A invasora

Ninguém escolhe ser poeta.
É a poesia que elege, a seu bel-prazer,
aquele que irá por ela morrer em vida
ou nela eternamente viver.

É ela, a herege divindade,
que invade sorrateira a mente
e, insana, deposita seus ovos
na chocadeira humana.

Gerá-la, é uma profunda agonia.
É um ser-estar em carne viva,
num fogo escuro.
E o pior de tudo,
é que não há sincronia
entre o poeta e a poesia,
entre o recipiente e o conteúdo.

O que há é um descompasso,
uma falha de espaço.
Não se entrosam
o tempo do poeta
e o tempo da poesia.
Há uma anomalia
entre o que ele é e o que ele cria.
Não, não se enganem...
Não há um elo
a unir criador e criatura.

Há um duelo,
uma tensão constante;
e, a qualquer instante,
um pode trair, ferir, parir ou
abortar o outro.


2 POETRIX

Natureza-morta

No oco do tronco decepado,
uma arara ferida
choca um machado.


Estorvo

Quero que morra!
Mas o maldito corvo
Never, never more.

domingo, 19 de dezembro de 2010

JOÃO PAULO DAS VIRGENS - ENTREVISTA Nº 287

ENTREVISTA

SELMO VASCONCELLOS - Quais as suas outras atividades, além de escrever ?

JOÃO PAULO DAS VIRGENS - Sou policial civil aposentado do ex-Território Federal de Rondônia, Advogado militante na Comarca de Vilhena, membro da comissão de Direitos Humanos da OAB/VHA, membro efetivo da Academia Vilhenense de Letras.

SELMO VASCONCELLOS - Como surgiu seu interesse literário ?

JOÃO PAULO DAS VIRGENS - Na escola Nossa Senhora da Penha, em Salvador-BA, quando fazia o quarto ano primário participei da Semana do Livro Baiano –SELIBA, que incentivava os alunos de todas as series pela leitura. Fiz um trabalho da Obra de Monteiro Lobato do livro Emilia e a Chave do Tamanho. No ano seguinte ganhei a medalha de ouro com o Livro de José Mauro de Vasconcelos, autor do Meu pé de laranja-lima, com o livro Rosinha e minha Canoa. Depois vieram as primeiras paixões e então comecei a fazer poesias para as namoradas.

SELMO VASCONCELLOS - Quantos e quais os seus livros publicados ?

JOÃO PAULO DAS VIRGENS - Nenhum, tenho publicações na imprensa local graças ao apoio e boa vontade dos amigos incentivadores Selmo Vasconcelos e José Valdir Pereira. Pretendo concluir um livro das minhas reminiscências políticas e de vida em mais de 30 anos de Rondônia, onde trabalhei com os governadores Humberto Guedes e Jorge Teixeira, fui vereador de Porto Velho por 6 anos (1983/1989); Secretario Municipal de Interior, assessor do Prefeito Chiquilito Erse, de deputados na Assembléia Legislativa, fundador do PDS e presidente da Ala Jovem, candidato a Deputado federal pelo PDT de Brizola e Dr. Jacob Athalla e Rondônia, e isto tudo estou colocando em um livro que pretendo lançar em breve. É histórico, pois conta a minha participação nos fatos que transformaram e transforma todo dia este rincão em um grande estado. É esclarecedor em relação a alguns fatos que presenciei ou participei nos bastidores ou como protagonista.

SELMO VASCONCELLOS - Qual (is) o(s) impacto(s) que propicia(m) atmosfera(s) capaz(es) de produzir seus trabalhos literários ?

JOÃO PAULO DAS VIRGENS - Principalmente a saudade dos bons tempos de Rondônia, o amor por esta terra e sua gente, os amigos esquecidos pelo tempo e pelos novos governantes, a falta de memória do povo e de quem deveria preservá-la. A ingratidão com os pioneiros e seus familiares. Com todos aqueles que deram suas vidas na construção de Rondônia. Eu estou aqui para lembrá-los, seja em versos seja neste livro, ou mesmo em um outro projeto de fotografias que estou colecionado e quem sabe saia daí um outro livro com as memórias fotográficas de Rondônia e sua gente.

SELMO VASCONCELLOS - Quais os escritores que você admira ?

JOÃO PAULO DAS VIRGENS - O mestre Machado de Assis, a Cearense Raquel de Queiroz, o baiano Jorge Amado, José Lins do Rego, o gaucho Érico Veríssimo.

SELMO VASCONCELLOS - Qual mensagem de incentivo você daria para os novos escritores ?

JOÃO PAULO DAS VIRGENS - Leiam, leiam bastante, levem suas obras para os escritores, professores, amigos e jornalista para emitirem suas opiniões e recebam as criticas como um incentivo a sua melhor produção literária

POESIAS

EU VENHO DE LONGE

Eu venho de longe.
Venho das Entradas e Bandeiras pelo sertão do Brasil.
Venho com os mateiros de Rondon abrindo caminho.
Venho pelas barrancas do Guaporé, Mamoré e Madeira.
Venho remando com os pilotos, pulando cachoeiras.

Eu venho de longe.
Venho pela linha telegráfica, pelo fio, pela estrada.
Venho pela Madeira-Mamoré, abrindo caminho na mata.
Venho trazido pelo Aluízio Ferreira, pelo garimpeiro e cacaieiro.
Venho de longe trazido pelo seringueiro, pelo desbravador aventureiro.
Venho pela estrada de Juscelino, trazido pelo colono sofrido,
em busca de terra, fugindo da seca, e que a mãe natureza traga frutos seu novo labor.
Venho seguindo os pioneiros,
chegando primeiro que os madeireiros,
para ainda deslumbrar, a mata verde e a riqueza deste lugar.

Eu venho de longe.
Cheguei à frente do Teixeira,
enfrentei a febre, a chuva e a poeira.
Atolei em meio à lameira, e esperei a estrada secar.

Eu venho de longe
Cheguei primeiro que o Estado, e neste Território amado.
De Rondon, de Aluízio, de Teixeira.
De tantos outros que passaram e outros que passarão.
Bem daqui deste Eldorado, meu belo chão pisado, vim de longe para Rondônia do meu coração.
Aqui é o meu lugar.

Vilhena/PVH, 30 de dezembro de 2007.
João Paulo das Virgens e José Valdir Pereira


Homenagem a Artista Plástica

Eu sou poeta
Minha pagina em branco
È uma tela, minha pena são as cores
Minha inspiração esta na tinta e no guache.

Eu sou poeta;
Em busca da perfeita paisagem,
A natureza morta não me inspira,
Pois eu busco vida e qualidade.

Eu sou poeta
Pinto a Vida, a alegria e os amores,
Talvez abstrato, talvez impressione,
Mas o meu desenho colorido
Quero que a todos encante.

Eu sou poeta
Da vida,
Das cores,
Dos quadros,
Que de tinta alegre
Derramo alegria e
Da tristeza me separo.

Eu sou poeta
Observem bem
Minha poesia
Em cada quadro,
Em cada fantasia.

Minha rima são as cores
E a quadra simétrica em mim não existe
Eu sou poeta
A simetria esta no quadro.
A poesia esta na tela.

João Paulo das Virgens
Vilhena, 02 de março de 2008


Ao Poeta, à Poesia!

Pego as palavras ou como um pedreiro humilde,
Construo versos, que nem sempre rima,
embora, confiando no prumo,
deixo as letras tortas,
como as paredes e as portas,
que confinam os pensamentos do poeta.

Sem traços certos,
como as mãos de um arquiteto trepido,
que desenha ao vento o que lhe vai na alma,
em uma perfeita engenharia,
que a todo tempo denuncia,
O arcabouço vazio,
o coração febril,
de uma vida sem calma.

Pois é de paixão que vive o poeta,
e de ilusão a poesia,
que vem bater à porta em uma noite fria,
fazendo estremecer a casa.
que construída na mente fértil,
irrigada pelo sangue bombeado do coração,
torna este mundo de ilusão,
em doce poesia de vida.

Poeta, pedreiro, engenheiro, arquiteto.
Tudo em uma mesma pessoa,
que apenas vai construindo à toa,
A beleza de poetizar.

João Paulo das Virgens
Vilhena(RO), 14 de Março de 2008


HOMENAGEM AO POETA SELMO VASCONCELLOS

És o poeta louco, filho da dor e da amargura,
Precursor do pecado e da balburdia,
És o introdutor da poesia, do amor e da magia,
És quem encanta o canto do mago,
Quem desafina o fado, e joga confete na alegria.

És louco poeta.
E com sua loucura vai arrancando pedaços;
Partindo corações e criando laços,
Dando nós em palavras, ritmos e manias,
Num entrançado de alquimia,
Que abrasa a alma,
E desembaraça o corpo.

És Poeta louco,
E louca é sua poesia
Que em todos os poros irradia,
E faz tremer a calma, balançar a alma e gemer a melancolia.

Por seres louco poeta,
Por espalhar esta loucura entre os povos,
Por escrever rimas como hinos harmoniosos,
E trazer a alegria aos oprimidos;
És por tudo isto louco,
E por tudo isto aos poucos,
Vou enlouquecendo também.
És louco Poeta e
Linda é a loucura, a poesia e o querer bem.
Por tudo isto és louco.

João Paulo das Virgens.
Vilhena, 26 de março de 2008


Quatro Vidas

Vão meus sonhos, caminhando entre oito pernas;
Abraçando o mundo com oito braços,
Gritando a quatro bocas,
E os pensamentos não se contam.

Lá vão minhas vidas,
Distribuídas em quatro pétalas;
De rosas sonhadas e desabrochadas,
Que a todos encantam.

Um P, um T, um R e um C.
Um nome para cada amor,
Que minha vida sonhou
E por quem a vida me faz sonhar.

Paula, Talita, Raissa e Carolina.
Todas formam minha vida,
Todas fazem minha rima
Do Verbo que a todos animam
Que é a beleza de amar.

João Paulo das Virgens
Vilhena, 18 de novembro de 2006.

domingo, 12 de dezembro de 2010

FRANCIS FARIA - ENTREVISTA Nº 286

BIOGRAFIA

Francismara Faria nasceu e reside em Jandaia do Sul – PR, tem 38 anos, é professora de Língua Portuguesa, especialista em Língua Portuguesa – descrição e ensino e mestre em Estudos Linguísticos pela UEM – Universidade Estadual de Maringá. Exerce a função de 1ª Secretária na SPJ – Sociedade dos Poetas Jandaienses, da qual faz parte desde sua fundação, em 2002. Escreve desde sempre, expondo em seus poemas, contos e crônicas, um pouco da vida, e um tanto de seus sentimentos e emoções.
Publica seus textos nos sites:
www.recantodasletras.com.br
www.usinadaspalavras.com.br
www.textolivre.com.br
Ainda possui páginas pessoais no site: www.paralerepensar.com.br/francispires.htm.
Define-se assim, em poesia:

Sou poeta da alegria e da tristeza
Poetizo o bem, o mal e o irracional
Gosto de pessoas, flores, amores
Sinto-me feliz ao alcançar um ideal
Escrevo para me satisfazer
E alegrar os corações entristecidos
Escrevo também para extravasar
A angústia que às vezes enche meu peito
Pois a vida é um paradoxo
Momentos bons e ruins
Se intercalam, não tem jeito
Por isso tenho sempre comigo
As palavras, esses instrumentos
Que expressam nossos sentimentos
Em qualquer ocasião
Na raiva, na alegria, no perdão
Na mágoa, tristeza ou compaixão
O importante é saber usá-las
E delas tirar o melhor proveito
Pois o verdadeiro poeta
É aquele que mostra sua cara
Através de seus poemas.

ENTREVISTA

SELMO VASCONCELLOS – Quais as suas outras atividades, além de escrever?

FRANCIS FARIA - Sou professora de Língua Portuguesa e Literatura na Rede Pública do Estado do Paraná, lecionando para o Ensino Médio e Educação de Jovens e Adultos. Atuo na Sociedade dos Poetas Jandaienses como primeira secretária, e tenho como hobby as artes plásticas, realizando trabalhos de pintura em óleo sobre tela.

SELMO VASCONCELLOS - Como surgiu seu interesse literário?

FRANCIS FARIA - Desde a infância gosto de ler e de escrever. Vivia na biblioteca pública do município e na da escola, pois meus pais não tinham condições de comprar todos os livros que eu desejava. Porém, sempre me incentivaram à leitura, juntamente com os professores maravilhosos que tive. O interesse pela escrita foi aprimorado na adolescência, quando produzia textos de gêneros variados, como contos, crônicas e poemas, sem ao menos entender muito de estilos literários ou recursos de escrita. Fui lapidando a forma de escrever ao ingressar na faculdade de Letras, onde contei com o apoio de alguns professores incríveis que me incentivaram ainda mais.

SELMO VASCONCELLOS - Quantos e quais os seus livros publicados?

FRANCIS FARIA - Publiquei no ano passado meu primeiro livro, Toques de Emoção, mas já participo há muitos anos de várias antologias poéticas, concursos de poemas, contos e crônicas e afins.

SELMO VASCONCELLOS - Qual (is) o(s) impacto(s) que propicia(m) atmosfera(s) capaz(es) de produzir seus trabalhos poéticos ?

FRANCIS FARIA - Creio que o ato de escrever demanda, como dizia o grande Einstein, muito de transpiração e um mínimo de inspiração. Podemos escrever quando estamos apaixonados, ou desiludidos, ou frustrados, ou extremamente felizes. O estado de espírito influencia no teor da escrita, mas a observação, o conhecimento, o estar no mundo são os requisitos básicos para o escritor.

SELMO VASCONCELLOS - Quais os escritores que você admira?

FRANCIS FARIA - Os escritores nacionais que mais admiro são Drummond, Cecília Meireles, Guimarães Rosa, Machado de Assis, além de vários contemporâneos, como Rubem Alves, Adélia Prado, Paulo Leminski, Moacyr Scliar, entre outros.

SELMO VASCONCELLOS - Qual mensagem de incentivo você daria para os novos poetas?

FRANCIS FARIA - Que sempre haja motivação para escrever, pois o que motiva o ser humano é a esperança de concretizar seus sonhos. Uma pessoa motivada deixa de ser uma mera expectadora da vida e passa a fazer a História. Que todos os poetas possam fazer sua história com muito empenho e dedicação, tendo seu trabalho reconhecido e valorizado. E deixo um pensamento de Manuel Bandeira, para reflexão:

"Há poemas ininteligíveis nos seus elementos, porque só o poeta tem a chave que o explica; mas a explicação não é necessária para que pessoas dotadas de sensibilidade poética penetrem na intenção essencial dos versos." Manuel Bandeira

ANEXO – INFORMATIVO

Histórico da SPJ – Sociedade dos Poetas Jandaienses – Jandaia do Sul - PR

A SPJ foi fundada em 06 de dezembro de 2002 e tem como presidente-fundador o Professor Lourenço Ildefonso da Silva. Possui inúmeros integrantes, tanto nas escolas como na comunidade local e em toda a região norte-paranaense. A entidade já organizou os seguintes livros (antologias poéticas)
1. Assim nascem os poetas
2. Ousadia Poética
3. A poesia interagindo na aprendizagem do aluno
4. A poesia interagindo com a comunidade
5. A poesia e o pensar coletivo
6. Poesias, verdades e sonhos
7. Singelas poesias jandaienses

Atuais Projetos da Entidade:

Mostra de Poesias e Artes – realizada todos os anos, no mês de abril
Concurso de Poesia nas Escolas – realizada nos meses de agosto e setembro de todos os anos

Futuros Projetos da Entidade:

Projeto “Viola de Ouro”
Projeto “Vamos ler Jandaia do Sul”
Biblioteca fixa na sede da SPJ
Biblioteca Itinerante
Criação de um pequeno sebo, na sede da entidade

Objetivo básico da SPJ:

A busca de talentos e a valorização humana do cidadão, principalmente o cidadão aluno.

POEMAS

VIDA

Vazia, rasgo poemas
E as horas se demoram
Na lida dos dias.

A ausência fere, destoa
De toda a esperança
Que em vão se nutre.

Como se viver fosse
Muito mais que versejar
Muito mais que amar.

Enfim descobri: há algo mais
Que o poema em mim.
Além do verso, há a vida.


Manhãs

"Así, cada mañana de mi vida
traigo del sueño, otro sueño..."

Pablo Neruda

E assim inauguras meu mundo de sonhos...
Quando surges, enches a atmosfera de doces palavras.
O amanhecer torna-se mais belo,
Iluminado por teu sorriso sincero.

Sou toda desejos, anseio por beijos
Que eu sei, estão bem guardados
Em versos que fizeste para mim
E sopraste no ar, com uma ternura sem fim.

Tu vens com a névoa da manhã
Em fantasias diáfanas e silenciosas
A serem realizadas uma a uma,
Sem pressa, em delírios, com amor...


ESPAÇO

Aqui, neste espaço vazio
cabe amor, saudade, esquecimento
cabe dor, alegrias, lamento
e tudo o mais que a vida nos impõe

e mais o medo, o crime, a ternura
o sonho mais alto, a alma mais pura
cabe a mochila com os itens essenciais
para quem vai tirar férias de si mesmo

cabe o perdão aqui
desde que haja arrependimento
cabe também uma vontade imensa
de que as flores do desejo se abram
e espalhem seu perfume pelo ar

cabe a leveza de um abraço
a doçura de um beijo
o encanto de um sorriso
a encher de brilho uma vida

aqui só não cabe a desilusão
não cabem o rancor, a discórdia, a solidão
e não cabe a ideia
de que o amor que tanto cultivei
um dia possa acabar...


Poema Certeiro

Meus versos
não têm direção
São versos
inversos à razão
Fluem como a vida
sem nenhuma previsão

Poesia tem de ser incerta
sem mira, feito bala perdida
mas que acerte sem querer
um insensato coração...


EXPLOSÃO

A poesia ferve no peito
meio sem dom
meio sem jeito
É quase dor
É quase amor
E explode em delírios
em sonhos, em cores

Os versos dançam
na alma do poeta
a vida é atropelo
choque confuso
de loucura e sanidade
distorção de imagens
ilusão acelerada

Ainda dentro do casulo
o artista pede para voar
e novos versos conseguir compor
para libertar-se da angústia e da dor...


LEVEZA

Ainda invento arrepios
quando sinto que estás em mim
perco-me em desafios
deliro em sonhos e desvarios
abrigo tuas mãos nas minhas
quebro as regras
levo a culpa
trago o soluço pra fora
deixo de lado a razão

prendo o ar
solto os bichos
vivo o hoje
mato o tempo
desfaço o silêncio
retomo a inocência
viajo contigo em sonhos
esqueço meu lado sombrio

transformo a vida em momento
fico alegre sem motivo
assumo meus mais loucos medos
elevo os meus pensamentos
e, leve, flutuo contigo
até os céus da paixão...

quinta-feira, 9 de dezembro de 2010

JAQUELINE SERÁVIA - ENTREVISTA Nº 285

BIOGRAFIA

JAQUELINE SERÁVIA - Jaqueline nasceu Saraiva, e adotou Serávia em 2006. Mulher por destino e prazer, mãe por opção, escritora por filosofia, poeta por essência. Carioca, aquariana de 1966, nasceu às 16:30h, aos 16 dias de Fevereiro. Participou de algumas Oficinas de haicais com Jiddu Saldanha, a quem carinhosamente chama: mestre!. Tem participado como poeta convidada em eventos literários ligados à poesia, nas cidades de Barra de São João/RJ e Rio das Ostras/RJ, cidade que escolheu para viver e embalar suas crias. Trabalhou por alguns anos na área de saúde, para a prefeitura de Rio das Ostras – RJ. E é voluntária - socorrista da Cruz Vermelha Brasileira há mais de 25 anos. Autodidata, aceitou recentemente três novos desafios e vem trabalhando com consultoria para sites, web writer e jornalismo.

ENTREVISTA

SELMO VASCONCELLOS – Quais as suas outras atividades, além de escrever ?

JAQUELINE SERÁVIA - Primeiramente eu gostaria de te dizer, Selmo, o quanto estou feliz e encabulada com seu convite. Sou o que classificaram como: extrovertímida. Sou mais de escrever e participar nos bastidores, me sinto mais a vontade assim. Falar em público, sendo eu mesma, não é o meu forte. Mas, não teria como negar um pedido seu.

Ser mulher, mãe de duas adoráveis arteiras artistas, dona de casa, chefe de família, pesquisadora, fotógrafa amadora, curiosa nos assuntos que me fascinam... Juntei tudo isso e me formei em “Achologia“. Não fui eu que me diplomei. Tenho sido requisitada para dar “achisses“ na parte de designer de alguns sites, em trabalhos de criação de layouts de artes gráficas e criação e composição de personagens de humor. Me divirto muito, aprendo pra caramba e ainda recebo pra isso.

SELMO VASCONCELLOS - Como surgiu seu interesse literário ?

JAQUELINE SERÁVIA - Acho que desde quando ainda estava na barriga da minha mãe, desconfio que tinha algo pra ler lá, embora não me lembre. Se não foi isso, foi o coração dela pulsando que me soou como música e eu fui querendo ficar. Sai de lá obrigada! Minha mãe ficou internada 40 dias, até que finalmente (pra ela) alguém conseguiu me tirar de lá.
Lembro que minhas irmãs, sempre que podiam, liam ou contavam histórias pra mim. Fui alfabetizada por uma irmã minha, que dava aulas lá em casa, para algumas meninas com muito mais idade do que eu. Mas, eu sempre curiosa, adorava ficar lá prestando atenção. Ela aproveitou isso e quando percebemos, já estava eu alfabetizada. Daí não parei mais, lendo os livros que conseguia emprestado ou ganhava de presente de aniversário ou natal, bulas de remédios, rótulos de shampoos, revistas em quadrinhos dos filhos dos vizinhos... Escrevendo em qualquer pedaço de papel. Meus pais não tinham condições financeiras de nos comprar livros que não fossem os escolares.
Sempre adorei as aulas onde os professores mandavam a gente escrever redações, ou resumo de livros. E sei lá por quais motivos, eles elogiavam bastante e eu, ainda que desconfiada, fui acreditando. Nunca guardei nada. Hoje, se tivesse como, adoraria poder reler alguns dos textos que escrevi nessa época. Só por curiosidade. Escrever, pra mim, sempre foi algo muito natural. Então quando recebia um elogio eu achava estranho. Era como se dissessem “Você bebe água muito bem!“ ou “Gosto muito da maneira como você fecha os olhos pra dormir“ Como assim??? Eu não os entendia e eles também costumavam não entender que eu não entendia.
Só comecei a levar a sério e estudar a arte da escrita, quando me mudei pra Rio das Ostras, motivada por três amigos queridíssimos: Lindomar, Ariel e Magu. Mas, ainda assim eram amigos... continuei desconfiada.
Depois tive dois avais, em off, de “pesos pesados“ da nossa literatura contemporânea: Leila Miccolis e Suzana Vargas.
Tomei coragem e participei de um concurso de poesia no Portal Literal concorrendo a uma das 10 vagas oferecidas para uma oficina poética on line com o Carlito Azevedo, fiquei em 6° lugar.
Aí as oportunidades foram aparecendo através do portal Blocos, onde tenho a honra de ter alguns de meus trabalhos publicados, no site A Garganta da Serpente e no Orkut. O Milbs me convidou pra assinar uma coluna no jornal O Rebate, Fui convidada, por quatro anos consecutivos, pelo Ademir Antônio Bacca a ir representar a cidade de Rio das Ostras no Congresso Brasileiro de Poesia. Mas, só consegui ir a um, por falta de patrocínio para as passagens aéreas. Chegaram algumas propostas para escrever como Ghost Writer, fiz algumas matérias e entrevistas que vão sair num novo jornal com sede em Barra de São João - RJ e tenho que conseguir dar conta de escrever a biografia de uma fantástica mulher suíça que rodou o mundo todo trabalhando ou simplesmente visitando, quase comprou um camelo, e escolheu um cantinho da Costa do Sol pra abrigar seus mais de 7 mil livros lidos e relidos, todos.

SELMO VASCONCELLOS - Quantos e quais os seus livros publicados ?

JAQUELINE SERÁVIA - Bem, solo não tenho nenhum, ainda não amadureci essa idéia em mim. Talvez mais pra frente... ou deixe para que minhas filhas decidam isso, depois que eu estiver do outro lado. Tenho 4 livros infantis prontos, 2 de poesias, 1 com contos e crônicas, 1 romance sendo escrito e 1 biografia encomendada.
Tenho poesias publicadas em duas antologias do Congresso Brasileiro de Poesia, Volumes 4 e 6, outras numa Antologia publicada no Chile e na Antologia Digital Saciedade dos Poetas Vivos. Vol. 09 no Portal Blocos. Sou membro de Poetas Del Mundo e mantenho um cantinho no Recanto das Letras.

SELMO VASCONCELLOS - Qual (is) o(s) impacto(s) que propicia(m) atmosfera(s) capaz(es) de produzir suas poesias ?

JAQUELINE SERÁVIA :
Tudo! Ou nem.
O som da chuva ou do silêncio,
Uma imagem, uma luz, uma foto, um inseto
Um sorriso, uma conversa. (Des)encontro
Numa linha, uma frase. Reticências
Uma raiva, mágoa ou protesto.
Da exclamação o ponto, de afluência
Um Momento...

SELMO VASCONCELLOS - Quais os escritores que você admira ?

JAQUELINE SERÁVIA - Pronto... Voltei! (brincadeirinha)

Amo, amo, amo Fernando Pessoa e , ganhei até uma Tabacaria de presente, na comunidade Sonhos de Poeta da minha amiga, que também já foi por ti entrevistada, Goreti. Mas nem foi pelo meu amor ao Pessoa e sim, por eu estar sempre reclamando de não poder fumar lá nos tópicos.
Amo Machado de Assis descrevendo os olhares de Capitu, tanto e tanto, que nunca me preocupei em saber se ela traiu o casmurro do Bentinho ou não. Adoro uns textos que do Saramago, Chico Buarque, Arnaldo Antunes, Cora Coralina, Leon Uris, Fausta Pires, Celso Gutfreind, e... e...
Ah, dos amigos não vou citar nenhum... do jeito que minha memória é, sei que vou esquecer de citar algum(ns) e não quero por nada nesse mundo, nem nos outros, magoar sequer um.

SELMO VASCONCELLOS - Qual mensagem de incentivo você daria para os novos poetas ?

JAQUELINE SERÁVIA - Estudem! Conheçam as regras, mesmo que seja para evitá-las. Leiam bastante, escrevam, escrevam, escrevam. Quebrem a cabeça, aceitem as críticas construtivas e principalmente, divirtam-se!

POESIAS

O Tempo do meu silêncio

O tempo do meu silêncio está faminto
de madrugadas, sons e nostalgias
Há nele um fundo azul
opaco e oblíquo

Faminto me observa
reações, falas, gestos
os olhares, todos
o sorrir complexo

Seu dorso é convergente
encontra-se com o espelho
refletido aqui
a um palmo

Meu silêncio é dissonante
disperso e eloqüente
e seu tempo
faminto e irreverente.


Com o fio a fiar

Salva da morte por um fio
Ela agora vive a fiá
Fia de Don’Ana a fiadeira
fia os fios, tece com bilros suas teias
conforta como pode a fome impiedosa
c’os fios dependurados nos bicos de seus seios.


Em frente a minha casa

Ao abrir a porta
Invade-me os olhos a brisa marinha
A aura da cidade, os matizes
Entre caixas-d'água, telhados e cimento.


Conspiração mobiliária

Essa mesa não para quieta.
Enche-se de poeira,
permite que a aranha teça no canto uma teia.
Bagunça minhas coisas,
desfaz minha ordem,
embaralha meus papéis.
Eu,
brigo... grito... xingo... esperneio...
Enquanto que ela...
Solta de soslaio debochada gargalhada.
A descarada ainda acha que está certa.
So podia mesmo ser mesa de poeta
Para ser assim... tão abusada.


haicai

Tarde morena
Bebendo chá
Pensando em saquê.

segunda-feira, 6 de dezembro de 2010

JÚLIO OLIVAR - ENTREVISTA Nº 284

BIOGRAFIA

É preciso "flutuar como uma semente que, onde cai, germina"
(A. Santini)

Júlio Olivar nasceu no dia 14 de junho de 1973, em Poço Fundo (MG). É o décimo segundo filho de Domingas Noronha e Antônio Benedito. Morador em Rondônia desde 1998, é radialista e repórter, com passagens por vários jornais impressos e emissoras de rádio e de televisão, além de ter prestado assessoria de imprensa a várias entidades.
Segundo relato do historiador e escritor Schiller Ferreira Noronha, publicado em12 de abril em 2003, Júlio Olivar foi um menino criado na área rural. “Surgiu muito novo na carreira jornalística. Rapaz bem aparentado, tinha duas espadas afiadas: uma era uma boa redação como jornalista e a outra era sua voz de bom locutor, com excelente dicção”, escreveu Schiller na coluna “Histórias de Poço Fundo”, que retratava perfis de filhos ilustres da cidade.
Ainda de acordo com o mesmo historiador, Olivar tem nas veias o sangue dos Noronha, embora não o tendo nome. Schiller afirma na genealogia do autor que sua mãe, com ascendência em Heliodora (MG), tinha o mesmo tronco familiar do insigne intelectual e poeta Plínio Sérgio de Noronha Motta (1876/1953), da Academia Mineira de Letras, da qual ocupou a cadeira número 39, hoje pertencente a Patrus Ananias (ex-ministro de Estado, ex-prefeito de Belo Horizonte).
Júlio Olivar começou escrevendo no Jornal da Cidade, aos 15 anos, em Poço Fundo. Depois seguiu trabalhando nas rádios Difusora AM e Montanhesa FM, ambas de Machado, (MG), de 1991 a1996. Passou pela Rádio Objetiva Um FM, de Paraguaçu (MG), de 1993 a 1994. Editou de 1992 a 1997 o jornal Siga em Frente, também em Machado, MG, onde também foi fundador e presidente do Partido Popular Socialista (sucedâneo, à época, do Partido Comunista Brasileiro), de 1997 a 1998.
Já em Rondônia, começou no jornal Folha do Sul, do qual foi editor. Fundador do Expressão, em Vilhena (RO), em 2000, considerado na ocasião por alguns dos principais jornalistas do Estado como um “jornal de vanguarda”. Atuou na TV Rondônia (afiliada da Rede Globo), em 2002, sendo autor de reportagens exibidas em toda a América Latina pelo canal Amazon Sat. No mesmo ano, fez matérias veiculadas pela Rádio Jovem Pan, de São Paulo (SP). De 2001 a 2002 foi diretor de Jornalismo do Sistema Rondônia de Comunicação, com sede em Porto Velho e constituído de oito emissoras de rádio no Estado.
Autor de “O Mistério do Cônsul”, livro que relata a história de Lourenço Westin, primeiro cônsul da Suécia e Noruega no Brasil, publicado em 2005, com “orelha” assinada pelo embaixador do Brasil em Estocolmo, Oto Agripino Maia. A obra, elogiada por notáveis historiadores, jornalistas e personalidades brasileiros, está disponível nas bibliotecas do Consulado Geral da Suécia no Brasil, Supremo Tribunal Federal, Senado e Universidade de Brasília.
Em 2008, publicou seu segundo livro: “Ruas que andei”, que mostra a história de uma família fugindo da miséria do sertão do Norte de Minas. Junto com o pai e o irmão, Anísio Ruas – o biografado – perambulou por velhas e decadentes fazendas para escapar da fome, vivendo grandes aventuras até tornar-se interno num colégio militar na divisa com a Bahia, enfrentando a tortura como norma educacional nos anos de chumbo do país.
Membro da Academia Vilhenense de Letras, desde 2002, e membro do Instituto Histórico e Geográfico de São João del-Rey (MG), desde 2007. Recebeu o título de Cidadão Honorário de Machado em 2010, na mesma sessão em que foram homenageados o ex-ministro dos Esportes Carlos Melles e o deputado federal Silas Brasileiro, entre outros.
Interessado em assuntos indígenas, Olivar estudou Tupi com o notável mestre carioca Joubert di Mauro. Ministrou várias palestras sobre os indígenas da região, inclusive na Universidade Federal de Rondônia. Denunciou através dos principais órgãos de imprensa estaduais e do jornal O Estado de S. Paulo, além de veículos internacionais, na França, Estados Unidos e Alemanha, o descaso com as questões ligadas aos povos nativos.
A existência de lavoura de soja no antigo cemitério indígena de Vilhena apareceu na capa dos maiores jornais do Estado. Mas Olivar trabalhou pela preservação da memória de uma forma geral, sobretudo pela recuperação da Casa de Rondon, primeira edificação de não-índios na região, erguida pela expedição comandada pelo legendário Marechal Cândido Rondon.
A cultura dos indígenas do Cone Sul é tratada no livro Rooksgnalen (Sinais de Fumaça, em português) publicado em 2007 na Holanda e que ainda não foi traduzido para outros países. A obra teve a colaboração de Júlio Olivar, que forneceu material de pesquisa e concedeu entrevista à autora, Ineke Holtwijk, então correspondente na América Latina do Volkskrant (o jornal do povo, de Amsterdã).
O jornal The Washington Post, dos Estados Unidos, mostrou em sua edição de 13 de janeiro de 2008 uma ampla reportagem sobre os índios isolados (de etnia desconhecida) de Rondônia. A matéria, que também contou com a colaboração de Júlio Olivar, foi assinada por Monte Reel, com depoimentos de sertanistas que trabalharam – e foram perseguidos — no estado por conta da luta em defesa dos direitos dos povos indígenas.
Na política, Júlio Olivar foi assessor parlamentar na Câmara Municipal de Vilhena, lotado no gabinete da vereadora Marlene Silveira, assessor do ex-senador Odacir Soares e assessor executivo da Prefeitura de Vilhena. Foi vice-presidente e presidente do diretório estadual do Partido Comunista do Brasil, em Rondônia. Candidatou-se a vice-prefeito, em 2004, na chapa encabeçada pelo ex-senador Chico Sartori, e a vice-governador do Estado, em 2006, tendo a então senadora Fátima Cleide à frente da coligação que ficou em segundo lugar nas eleições. Em 2010, foi um dos coordenadores da campanha vitoriosa de Confúcio Moura (PMDB) para o governo de Rondônia.
Apresentou, em 2010, na TV Band, em Vilhena, o programa de entrevista E Ponto Final; foi apresentador e produtor do programa jornalístico Primeira Hora, veiculado diariamente na Rádio Meridional FM, em 2009; é colunista do jornal Folha do Sul.

Recebeu algumas condecorações, entre elas:

- Certificado Imprensa, conferido pelo Sindicato dos Proprietários de Jornais e Revistas do Estado de Minas Gerais (1993);
- Personalidade do Ano – conferido pelo Jornal Sul das Geraes, Pouso Alegre (1993);
- Certificado “Trabalhador do Ano”, conferido Conselho do Patrimônio Histórico, Artístico e Cultural de Machado (1995);
- Moção de Aplauso – conferida pela Câmara de Vereadores de Vilhena (2000);
- Troféu “PT 20 Anos”, do Partido dos Trabalhadores de Vilhena, RO (2000);
- Medalha do “Mérito Acadêmico”, da Academia Vilhenense de Letras (2002);
- Personalidade em Evidência, da revista Evidência, de Rondônia (2009);
- Personalidade do Ano – Revista Evidência, de Rondônia (2010);
- Prêmio “Qualidade Profissional” – Instituto Record Pesquisas (2010);
- Cidadão Honorário de Machado – MG, conferido pela Câmara de Vereadores (2010).

ENTREVISTA

SELMO VASCONCELLOS – Quais as suas outras atividades, além de escrever ?

JÚLIO OLIVAR - Basicamente, meus trabalhos giram em torno da comunicação social. Comecei no rádio aos 16 anos. Hoje, tenho uma coluna na Folha do Sul, principal jornal do Cone Sul de Rondônia, onde trato de política e cotidiano. Trabalhei em emissoras de TV, além de ter prestado assessoria de imprensa e marketing a instituições e políticos. Também sou militante político e cultural. Milito no PCdoB desde 2003 e, como político, já disputei duas eleições pelo partido, inclusive como candidato a vice-governador, em 2006. Em breve, colocaremos no ar um site inovador na região, tratando de turismo, história, cultura e outros valores de Rondônia e da Amazônia. Sou membro da Academia Vilhenense de Letras, entidade nascida há nove anos com o fito de promover não apenas a literatura, mas a cultura de uma forma mais abrangente.

SELMO VASCONCELLOS - Como surgiu seu interesse literário?

JÚLIO OLIVAR - Há coisas que a gente não explica. Eu me criei num lar muito simples, na área rural de Minas Gerais. Meus pais eram simples agricultores, iletrados, mas eu desde pequeno tinha uma afeição pelas letras. Naquele tempo, era usada na alfabetização a cartilha “Caminho Suave”, de Branca Alves de Lima, hoje bastante criticada pelos defensores dos conceitos piagetianos. Seja como for, foi meu primeiro livro e ainda o tenho em meu acervo. Sou muito dado a guardar “velharias”. As letras, por si, me chamam a atenção desde sempre, pela estética em si. Tenho manuscritos de mais de 150 anos, de velhos barões do café de Minas. Sempre fui inspirado pela observação das tradições do povo, da arquitetura antiga, da cultura oral, que são muito fortes em Minas. Minha escrita sempre perpassa por esses valores. Na adolescência, li muito, de obras clássicas de filosofia e história; a contemporâneas, a exemplo de “Os Carbonários”, de Alfredo Sirkis, e “Feliz ano velho”, de Marcelo Rubens Paiva, que foram marcos do meu despertar para o prazer de ler. Gosto muito de biografias e memórias, pois estas leituras são viagens que fazemos em companhia dos personagens, conhecendo muitos mundos, inclusive o da psicologia – ou os porquês – que conduz os biografados e o seu tempo.

SELMO VASCONCELLOS - Quantos e quais os seus livros publicados ?

JÚLIO OLIVAR - Tenho apenas dois livros publicados: “O Mistério do Cônsul”, de 2005, e “Ruas que andei”, de 2008. Encontram-se no prelo outros dois: “De Gilberto a José” (biografia de todos os administradores e prefeito de Vilhena, ao longo de 37 anos) e “O Notívago”, meu único livro de poemas.

SELMO VASCONCELLOS - Qual (is) o(s) impacto(s) que propicia(m) atmosfera(s) capaz(es) de produzir seus trabalhos literários ?

JÚLIO OLIVAR - Eu não saberia lhe dizer, pois é subjetivo. Acredito, inclusive, que o escritor em geral escreve para si mesmo; quer se imortalizar à custa da sua pena. E acho isso muito justo. Ele nunca sabe, ao certo, que impacto sua obra causa ou pode causar. Apesar deste sentimento reinante, o que me move a escrever é a sensação de que “tenho que fazer”, que tal história não me pertence e merece ser compartilhada. Vira compromisso. Meus dois livros, bastante modestos, versam sobre história, sociologia e aspectos em geral da brasilidade. O “Mistério do Cônsul”, por exemplo, é uma viagem pelo Brasil-Império através das vivências do ambíguo Lourenço Westin, primeiro cônsul da Suécia em solo brasileiro. Foi uma figura notável, compadre do Regente Feijó. O livro teve a “orelha” escrita por Margareta Winberg, então vice-ministra sueca. Curioso que, consultando universidades, museus, acervos públicos e personalidades suecas, poucos sabiam daquele que foi o compatriota deles mais influente, em seu tempo, no Brasil e sua influência no mundo dos negócios na América do Sul. Hoje, alguns historiadores e acadêmicos daquele país entram em contato comigo em busca de pormenores sobre Westin, cuja trajetória pesquisei durante mais de uma década e a contextualizo à formação da maçonaria, da religiosidade e do próprio Brasil enquanto pátria, pois ele viveu num momento de conflagração política. Escrever história é como costurar uma colcha de retalhos, cada dia você junta uma informação nova à peça que se torna o livro.

SELMO VASCONCELLOS - Quais os escritores que você admira ?

JÚLIO OLIVAR - Gosto de vários autores de literatura brasileira, notadamente os mais antigos. Aprecio Castro Alves, Lima Barreto, Aluisio de Azevedo... todos estes mestres. Tenho como patrono na Academia Vilhenense de Letras o poeta Carlos Drummond de Andrade, cuja obra é “hor concur”, e não apenas por sua face mais conhecida, que é a da poesia. Drummond é um contista e um cronista sem-igual. Dos mais modernos, gosto do estilo simples e sem rebuscamentos de Rubem Alves e, em seu contraponto, o emaranhado de “verdades” que representam alguns textos do uruguaio Eduardo Galeano. Ambos falam do existencialismo, cada qual ao seu modo, e são geniais. Eu poderia citar vários outros autores universais de que gosto muito: o poeta alemão Bertolt Brecht é um deles. Já o escritor irlandês Oscar Wilde para mim é intrigante. Ele confunde-se com o seu texto. Os diálogos que ele cria contêm muitas entrelinhas fabulosas, com verdades cortantes sobre a vida e as relações humanas. Também leio muito História. Acredito que esse segmento tornou-se, inesperadamente, um “filão” graças à habilidade de notáveis como Eduardo Bueno e Laurentino Gomes, que se desprenderam de fontes oficialescas, valendo-se do talento de jornalistas para mostrar a história como ela é, com uma narrativa muito mais saborosa, e sem perder a densidade e o seu caráter documental. Nunca, livros de história haviam sido best-sellers antes da obras “1808” e “1822”.

SELMO VASCONCELLOS - Qual mensagem de incentivo você daria para os novos escritores ?

JÚLIO OLIVAR - Escrever é uma forma de se libertar. Muitos, porém, têm observado mais o mercado do que os princípios que devem nortear o verdadeiro escritor. Hoje, com o advento da informática, muitos têm se prendido ao que célere, dando evasão a qualquer coisa que a demanda requeira. No entanto, tem-se perdido no sentido estético, na reflexão e na documentação, no caso dos trabalhos que versam a memória e a história de forma mais abrangente. Ou se é superficial ou se é muito denso. Ou às vezes, apenas “academicamente correto”, sem personalidade. Uma boa obra não precisa ser prolixa e nem chata. Assim como não se pode rotular como “lixo literário” aquele texto mais fluente ou aparentemente “fácil demais”.
O importante é escrever. Deixar pegadas pela vida, e a melhor forma disso acontecer é registrar suas impressões e sensações do mundo, seja em prosa ou verso. Eu acredito que é na juventude que temos as melhores inspirações. Na velhice, o melhor olhar para colocá-las no papel. Sempre é um bom tempo para se expressar, escrever e eternizar o prisma singular que cada um tem da vida.
Rondônia tem um potencial a ser desbravado no campo literário e eu acredito muito nos valores da nossa terra. Conheço textos maravilhosos da lavra de rondonienses e que nunca foram publicados. Precisamos e devemos lutar por mais eventos que incrementem a literatura e também por mais participação do poder público que deve ter na cultura um eixo fundamental para o desenvolvimento pleno do ser humano.

POEMAS

“Os poetas nascem, os oradores se fazem”, diz a expressão em latim. Não nasci poeta. No entanto, cometo alguns escritos despretensiosos contando de mim numa linguagem – por assim dizer – poética.
Empiricamente, misturo os gêneros épico, lírico e dramático. São filhos não planejado,s resultado de anotações vagas, sem compromisso, em noites vadias. Daí o nome - O Notívago - que darei ao livro. Foram anotações feitas para mim apenas, mas resolvi retirá-las do caderno com folhas amareladas, com mais de 10 anos de uso.

(...) E de tudo fica um pouco.
Oh abre os vidros de loção
e abafa
o insuportável mau cheiro da memória. [1]

De tão pessoais, os escritos puseram-me em dúvida: publicá-los ou não? Resolvi expor-me a esta aventura. Antevejo que a mixórdia que ora apresento, no melhor (ou pior?) estilo autodidata, pode chocar eventuais literatos e/ou teóricos da literatura que venham a lhe passar os olhos.
Em minha defesa: Escrever, por si, é uma arte. E meu objetivo ao fazê-lo é registrar a “história real”, destoando do princípio de que “o poeta é um fingidor”, como definira Fernando Pessoa (1888/1935).
Conto minha saga desde as montanhas de Minas, que virou “só um retrato um retrato na parede, mas como dói”, de novo parafraseando o poeta Carlos Drummond de Andrade referindo-se a sua Itabira. Perpasso pelas lembranças das músicas pop – trilhas sonoras da minha vida – e pelo meu lado mais conhecido: o do protesto, inspirado, talvez, na simbologia do Jesus Cristo contestador que marcou a minha infância – fui coroinha da paróquia São Francisco de Paula, em Poço Fundo, e partícipe das Comunidades Eclesiais de Base, em Machado, Minas, ouvindo sempre muito além daquilo que se pregavam no altar. Lado que foi ratificado com a leitura, entre outros, do dramaturgo e poeta alemão Bertold Brecht (1898/1956), começando pelo popular “O Analfabeto Político”. Vi esse poema pela primeira vez numa tabuleta pendurada entre teias na prateleira do Bar do Tonho, um boteco cheio de fotos e velharias que ao meu olhar adolescente era a verdadeira máquina do tempo através da qual muitas vezes viajei a passados que não vivi.
Admiro os poetas. E lanço-me à exposição sincera do que sinto – mesmo entremeio ao racionalismo cáustico da vida mundana que um poeta de verdade conseguiria ver além.
Peço clemência pelo atrevimento!

[1] Trecho do poema Resíduo, de Carlos Drummond de Andrade (1902/1987)

Bom, meus trabalhos enfocam mais a história. Estou lhe passando uma sinopse dos 2 trabalhos publicados:

O MISTÉRIO DO CÔNSUL - 2005

As relações entre Suécia e Brasil têm sido excelentes durante muitos anos. Geralmente porque as companhias suecas fazem investimentos no Brasil (todos os grandes são daqui), mas também através de eventos particulares, a exemplo do futebol. Em 1958 a Copa do Mundo foi realizada em Gothenburg, cuja final foi entre Brasil e Suécia. Suécia não ganhou... Mas ainda hoje o povo sueco lembra de Pelé, Didi e Garrincha. Agora há novos rumos. Além dos laços comerciais e futebolísticos, os dois países têm procurado fortalecer elos na política. Temos muito em comum e muito mais a relacionar; trocas de experiências e conhecimentos, tecnologias, cultura. Tudo isso é desafiador e excitante e um caminho para cumprir velhas tradições e também para continuar o que outras pessoas começaram. Lourenço Westin, o primeiro cônusl da Suécia e Noruega no Brasil, é uma delas.
O "Mistério do Cônsul” é uma biografia de Lourenço Westin (1787/1846) descrita no contexto da História brasileira. As pesquisas que culminaram no livro começaram em 1994. O autor consultou arquivos no Brasil e na Suécia, graças ao apoio dado pela embaixada brasileira naquele país. O resultado é uma obra com 48 imagens, entre fotografias, gravuras e mapas. O livro traz referências à história de Estocolmo e da cidade do Rio de Janeiro, terra natal e cidade onde Lourenço viveu a maior parte de sua vida, respectivamente. Olivar perfila personagens esquecidos da História: o controvertido Padre José Bento e os inconfidentes Bárbara Heliorora e Inácio Alvarenga Peixoto, e tantos outros.

RUAS QUE ANDEI - 2008

Como em "Vidas secas", de Graciliano Ramos, o livro "Ruas que andei" mostra uma família fugindo da miséria do sertão. Junto com o pai e o irmão, Anísio Ruas perambulou por velhas e decadentes fazendas para escapar da fome. Da vida errante e de menino de engenho, passou a interno em um colégio militar, onde viveu grandes aventuras.

ALGUNS POEMAS

BÁSICO

Afrouxo o cinto,
e os de segurança e castidade.
Transmudo as exigências,
Não carrego horas no braço.
Não tenho pressa de viver,
Estou seguro.
Só assim estou seguro.

***

RESISTÊNCIA

Sigo a massa desnuda, desnutrida,
desta vida de mão-única:
Ou vai ou vai.
E muitos vão e racham, sem destino, conduzidos...
Sigo vendo além da marcha,
além do umbigo vulgarizado,
da menina alienada, prostituída.
A Massa!
Gente feito arraia no céu, encabrestada pelo poder
(podre, sem pudor, pecaminoso).
Vivo na teimosia de mudar.
Mas a massa quer a direção?
Caminha sob o ferrão da burguesia,
da manjedoura aos sete palmos.
E sem direito à missa de sétimo dia.
“Ê, ô ô, vida de gado, povo marcado, ê, povo feliz” [1]

[1] Da música “Admirável Gado Novo”, de Zé Ramalho (1949/__)

***

SEM-CAUSA

Doutrinado pelos ianques,
dos que deriva a força ruidosa.
Força do tudo posso,
NAquele que me enfraquece.
Deus de olhos claros,
Capitão América.
E o resto é causa pequena,
das baratas sub-mundanas,
las cucarachas que teimam
em não se venderem:
ao Sistema.
Démodé, a palavra?
Mais ainda a birrenta escravidão,
em pleno 2002 d.C(oca-Cola).
***

ATRÁS DO MURO

Supra-sumo das quimeras tantas,
circunscrito o é: do berço ao túmulo.
Profuso e titânico se julga, morrendo de dor.
Mas, com enxaqueca apenas.

Amofinado com a temperatura que cai,
medo do irmão: ameaça o seu sossego.
Respira fundo, mas o muro é o horizonte.
Vê um girassol solitário no fundo do quintal,
o canário que não canta na gaiola
- mesmo de ouro e enfeitada.

Está cercado de alucinações,
apagadas pela razão que finge um equilíbrio;
razão irreal que dá guarida...
Quando todo o resto [tudo!] falha.
Mais uma tarde.
Menos uma, em verdade,
detrás do muro da vida pequena.
Não fosse a tarde eterna.

***
PROGRESSO

Vago pela cidade fantasma.
Encantos anulados pelo desdém:
ruas de paralelepípedos e cheiro de dama-da-noite
sob o frescor de julho; os alpendres vazios, não há cadeiras nas calçadas.
E voltei!
Trancado nas 14 polegadas.
Chat de um lugar distante,
de gentis mentiras, gente fútil.
Mais vazia do que o centenário povoado,
que não tem mais cinema, nem bandinha no coreto.
Ficou apenas o badalar do sino da matriz em ruínas.
Os velhos sobrados caem em nome do progresso.
E o progresso é a redoma.
Numa noite de lua cheia, sem pipoca na praça,
sem o lirismo, sem o sereno, sem a serenata de outrora...
Sem ninguém na estação fechada pelo tempo,
que silenciou o tropel e o apito da maria-fumaça.
Jukebox não há: o cabaré faliu, boemia se foi.
Fico na net, robótico, lendo errado, me emburrecendo.
E sonhando com o passado que não tive:
Saraus, cines-teatros e bailes,
que vejo nos anúncios expostos no museu abandonado.
Penso nos foots: O ir e vir das pessoas se olhando nos olhos.
Retrógrado ser/ver gente.

***
PÁRIAS QUE LHES PARIU

Sexagenários inexperientes
Injuriados pelas chacinas morais
Lunáticos conscientes
Moralistas amorais
Intrometidos que nada sabem
Revolucionários solitários
Miseráveis de mãos arrasadas nas colheitas
Pés-inchados jogados nas esquinas
Índios catando o lixo da civilização
Prostitutas virgens à espera do príncipe
Virgens estupradas
Meninos chefes de família
Homens rudes que choram gritado depois dos tragos...
A dor da ausência de nem-sei-quê
O vazio de quem não é

***
ILUSÃO DE ÓTICA

Fotos em branco-e-preto,
gente de sorriso amarelo.
Fotos carcomidas pela fúria do tempo,
presas pelos pregos enferrujados.
Deixadas num porão mofado,
com os rostos que foram tristes, alegres...
Que foram.
Fotos mentirosas, de momentos produzidos.
Desfizeram-se, na ligeireza do clicar do retratista.
E cada um foi prum canto,
caminhando para a aspereza de um dia a menos,
para a morte que sempre espera,
de braços abertos.
Gente morta, encaixilhada nas fotos.
Traduzem os instantes de insônia da vida,
no mais sutil e retraído desespero.

***

ECLÉTICA

É da elite que cultua as coisas do Oriente
Desconsidera os pecados capitais
Faz mapa astral
Jura ser cristã
Lê Gibran[1]
Horóscopo
Seu sacerdócio:
Fama e fortuna.
Maktub [2].
Recorre às divindades nos terreiros afros,
faz oferendas e o que for...
Acorda no dia seguinte e propala:
- Em nada creio.

[1] Gibran Khalil Gibran (Líbano, 1883/EUA, 1931). Ensaísta, filósofo, prosador e poeta.
[2] A palavra Maktub quer dizer "está escrito" em árabe; nome de um livro do escritor brasileiro Paulo Coelho (1947/__).

***

RETROVISOR

À beira da estrada...
Ficou o ímpeto rebelde.
E agora se fez calmaria.
Em que ano?
Em que tempo os porquês se justificaram?
Os caminhos nos conduzem a destinos incertos...
que não o quisemos.

domingo, 5 de dezembro de 2010

LOU DE OLIVIER - ENTREVISTA Nº 283

Resumo de biografia

Lou de Olivier - Psicopedagoga, Psicoterapeuta, Especialista em Medicina Comportamental, Precursora da Multiterapia e Criadora do Método Terapia do Equilibrio Total/Universal. É membro da Comissão de Saúde Brasil-Canadá e associada a ABPp e ABRAP - Diretora do CREM - Centro de Referencia e Estudo em Multiterapia. É também Dramaturga, Escritora (vários gêneros) e pratica dança do ventre e flamenco.
Mais informações nos sites:
Site oficial: www.loudeolivier.com.br Site terapêutico: www.multiplasterapias.com Site pessoal: www.loudeolivier.com

ENTREVISTA

SELMO VASCONCELLOS – Quais as suas outras atividades, além de escrever ?

LOU DE OLIVIER - Sou Psicopedagoga e Psicoterapeuta, ou seja, atuo clinicamente. Também sou dramaturga, atualmente tem uma peça minha em cartaz em São Paulo “Cinderela que não era Bela porque era Branca demais”, faço pesquisa cientifica e de campo, mas no momento não estou atuando nisso e também faço muita filantropia (trabalhos voluntários), por isso estou sempre com muito status e pouca verba rsrsrs

SELMO VASCONCELLOS - Como surgiu seu interesse literário ?

LOU DE OLIVIER - Pode parecer maluco mas eu comecei a escrever depois que me afoguei, tive falta de oxigenação no cérebro e perdi a memória totalmente, então comecei a escrever diários para me lembrar do que fazia e registrar meus poucos progressos na recuperação. Ai gostei e não parei mais de escrever.

SELMO VASCONCELLOS - Quantos e quais os seus livros publicados ?

LOU DE OLIVIER - Didáticos são oito, romances são três (impressos e e-book/CD-Room), participei também de muitas antologias. Como são muitos títulos, citarei só os mais recentes que são: "Psicopedagogia e Arteterapia" - Teoria e Pratica na aplicação em clinicas e escolas, "Distúrbios de Aprendizagem e de comportamento" e "Distúrbios familiares"

SELMO VASCONCELLOS - Qual (is) o(s) impacto(s) que propicia(m) atmosfera(s) capaz(es) de produzir seus trabalhos literários ?

LOU DE OLIVIER - Bem não sei se entendi bem sua pergunta mas eu posso afirmar que é tanta coisa como paixão, rejeição, ausência, decepção, solidão e, indo mais a fundo, até dores e acidentes... Na verdade qualquer impacto me incentiva a produzir, depende do momento e de como o recebo.

SELMO VASCONCELLOS - Quais os escritores que você admira ?

LOU DE OLIVIER - Pode parecer fanatismo mas não é, acima de tudo, eu admiro o Escritor dos Escritores, DEUS, que diariamente escreve a historia de cada vida do planeta e tem uma criatividade admirável... Aliás, esta é a frase que inicia meus escritos desde que encontrei minha religação com DEUS. Entre os humanos, eu admiro muitos escritores então não citarei nenhum para evitar esquecer alguém e criar uma saia justa.

SELMO VASCONCELLOS - Qual mensagem de incentivo você daria para os novos escritores ?

LOU DE OLIVIER - É preciso acreditar em suas produções e ter muita perseverança e, acima de tudo, escrever com o coração. Quando se coloca o coração, os escritos tornam-se únicos e essenciais.

POEMAS

Minhas memórias

Errei, de fato,
fiz tudo errado
fui pedra no sapato
Mexi em feridas,
derramei lágrimas ardidas
fui incompreendida
Distribui flores
a quem causou-me dores
e a quem deu-me amores
nem sempre compreendi
Incomodei os medíocres
desestruturei as elites
amei sem limites
antes de partir
Se, de algo me arrependo
é do que não me lembro
do que ainda não conheço
e do prazer que não senti...

By Lou de Olivier

A outra

Ser outra é fato interessante
Depende do referencial
Para a esposa, a outra é a amante
Pare esta, outra é a que usa avental
Na verdade, as duas são outras
Ambas estão incompletas
E vivem ilusões concretas
Uma acende o fogão
A outra acende a cama
Uma acelera o coração
Outra da inflação reclama
Uma diz que lhe dói a cabeça
Outra nunca sente dor
E o pobre homem sempre balança
Entre um e outro amor
E eu em meio a isso tudo
Sou as duas e outras tantas
Se por um lado há conquista
Por outro isso espanta
Tantas mulheres numa só
Afinal quem serei eu?
Santa e ingênua de fazer dó
Vulgar que a todos pertenceu
Mãe, esposa, avó...
Ou viúva de quem nunca morreu?

By Lou de Olivier

TUA SEMPRE TUA

Vem meu amor... Quero sentir tua dor
No peito dividido, amor amigo
Invade meu infinito e traz contigo
O perdão que eu tanto preciso...

Vem meu doce menino
Arrepiando meu corpo, meu instinto
Mostra que o tempo e a distancia
Nos uniram mais e mais

Pela eternidade, sem nenhuma vaidade
Neste amor sedento e infinito
E eterno nesta louca chama
Vem depressa, vem aflito
Coroa-me, enfim, na tua cama
E arrasta-me por toda a cidade...

Tua, sempre tua...

Quer casar comigo?

Sei que sou suspeita
para falar em casamento
vivo sempre, a cada momento,
sem saber, sem muito pensar
Sou daquele tipo estranho
que sai para comprar pão
compra um consórcio de caminhão
e esquece que só queria lanchar
Mas quando penso em você
sinto o desejo arder
e até de idéia eu mudo
e penso nesse absurdo
Com você, eu faço a besteira
esqueço o mundo, viro caseira
Ponho avental, vou para a cozinha
Te cubro de carinho e prazer
Sigo contigo agora e sempre
Na saúde e na doença
Na tristeza e na alegria
Faço amor noite e dia
Bem, já fiz minha exposição
já te dei meu coração
agora só falta o pedido
cheio de emoção...
E, então, meu amigo querido
quer ser meu marido?
quer, enfim, casar comigo?

By Lou de Olivier

Oração do Equilíbrio I

Pai de todos os planetas
Reinando solene nesta terra
Torne-me mais justo e sereno
Menos explosivo e descrente
Faça de mim alguém, capaz
De olhar a vida por muitos ângulos
Que nunca me cale diante do imprevisto
E nem fale tanto que não possa reavaliar
Que eu nunca me omita, nunca minta
Nem peque por excesso de franqueza
Que eu trate a todos com igualdade
Da pobreza até a realeza
Todos sejam apenas humanidade
Que eu veja além dos olhos humanos
Mas, sabiamente, finja-me cego
Que meu riso não incomode o leigo
E minhas lágrimas não lhe dêem alegria
Se eu ainda puder amar
Que seja alguém espelho meu
Reine nos ventos, no céu e no mar
Rondando em noites de luar
Entre tantos que só sabem vagar
Que meu silêncio mais profundo
Seja meu leito neste mundo
E que eu perca-me em poesia
Quando tudo o mais se exterminar
E, quando houver apenas adeus
Que eu seja, enfim, meu próprio deus...

Lou de Olivier